Motivos pelo qual leva a crer que Antíoco Epifânio IV não se encaixa na profecia do chifre pequeno de Daniel 8.
1. Antíoco Epifânio IV e o tempo de profanação do templo em Jerusalém, veja o que diz o artigo:
O autor salienta a necessidade de muitos intérpretes de adaptar vários elementos históricos e proféticos, para que o período pudesse se encaixar aos eventos de 1 Macabeus. Portanto, Shea se posiciona contrariamente a identificar Antíoco IV como o cumprimento da profecia de Daniel 8.
DE ARAÚJO JUNIOR, Amaro Vilhena; DOS SANTOS MORAIS, Leopoldo; ALVES, João Antônio Rodrigues. Os livros de 1° e 2° Macabeus servem como fonte histórica interpretativa para o chifre pequeno de Daniel 8?. Revista Luzeiros, v. 2, n. 02, p. 64-83, 2021.
2. Os feitos de Antíoco IV demostra a dificuldade de colocá-lo como o chifre pequeno.
Shea (2016) afirma que os feitos de Antíoco eram basicamente uma continuação de Antíoco III, que já havia dominado boa parte do reinado Ptolomaico do Egito, restando apenas algumas guerras no Baixo Egito para Antíoco. Além disso, Antíoco foi frustrado em alguns de seus feitos, tendo perdido algumas batalhas contra o judeu Macabeu, até falecer no ano de 164 a.C. (SHEA, 2016, p. 50). Ao fazer essa retrospectiva, Shea destaca as controvérsias e dificuldades que o cumprimento da profecia de Daniel 8 tem para se ancorar em Antíoco, o que consequentemente leva a crer, pelo autor, que tal cumprimento aponta para eventos muito maiores que já aconteceram no passado e que ainda hão de cumprir-se no futuro.
SHEA. H. William (ed.). Estudos selecionados em interpretação profética. Tradução de Francisco Alves de Pontes. 2.ed. São Paulo: Unaspress, 2016
3. O historiador Flávio Josefo identifica o chifre pequeno sendo Antíoco Epifânio IV, porem.
Deve ser observado, porém, que Josefo não realiza uma exegese do texto daniélico, senão que é conduzido em sua exposição pela narrativa encontrada nos livros dos Macabeus, os quais utiliza como fontes autoritativa e interpretativa do livro de Daniel.
DE ARAÚJO JUNIOR, Amaro Vilhena; DOS SANTOS MORAIS, Leopoldo; ALVES, João Antônio Rodrigues. Os livros de 1° e 2° Macabeus servem como fonte histórica interpretativa para o chifre pequeno de Daniel 8?. Revista Luzeiros, v. 2, n. 02, p. 64-83, 2021.
4 .O uso das fontes dos livros dos macabeus para interpretar Daniel 8:9
Ricardo Abos-Padilla (2001, p. 78), em um artigo sugestivamente intitulado “Defesa de Antíoco IV Epifânio”, apresenta um posicionamento bem diferente de Flávio Josefo. O argumento de Abos-Padilla é que a profecia de Daniel 8:9 não se cumpre em Antíoco IV Epifânio dadas as evidências históricas de quem foi e o que fez e também atribui a associação de teólogos ao mesmo posicionamento de Josefo a um estudo superficial das evidências históricas ou uma total falta de comprometimento com a verdade. Conclui o texto sugerindo a revisão total ou mesmo a rejeição do escrito Macabeu como fonte interpretativa para Daniel 8:9.
DE ARAÚJO JUNIOR, Amaro Vilhena; DOS SANTOS MORAIS, Leopoldo; ALVES, João Antônio Rodrigues. Os livros de 1° e 2° Macabeus servem como fonte histórica interpretativa para o chifre pequeno de Daniel 8?. Revista Luzeiros, v. 2, n. 02, p. 64-83, 2021.
PADILLA, Ricardo Abos. “Defensa de Antíoco IV Epífanes. 47 ½ tesis sobre el libro de Daniel”, Theologika. v 6. N 1 (1991). Disponivel em: Acesso em: 25 de set. 2020
5. O registro Macabeu dos eventos super valorizados.
Porém, o autor destaca que o registro Macabeu dos eventos de “opressão” exercido por Epifânio, são um ato de “marketing” ou vanglória para a elevação dos feitos de Matatias e dos seus filhos, destacando Judas Macabeu.
GRABBE, Lester L. Judaism from Cyrus to Hadrian. Volume One: The Persian and Greek Periods. Minneapolis: Fortress, 1992
6.A contagem de dias difere da interpretação de 1150 dias.
Josefo, em seu clássico livro “a história dos Hebreus”, oferece uma interpretação da profecia de Daniel 8, em que aplica o chifre pequeno, saindo dentre os 4 chifres (Dn 8:8-9), identificado
pelo autor como o rei selêucida Antíoco IV Epifânio (175-164 a.C), que ofereceria uma grande opressão e perseguição com os de Jerusalém, tomaria o lugar e perverteria as cerimônias dos judeus, por um tempo de 1296 dias (JOSEFO, 2004, p. 477). Período este que Josefo atribui ao registro macabaico, que cobre 3 anos de “opressão” oferecido por Antíoco IV (I Mc 1:29-64; II Mc 5:5-14, 6:1-11)
JOSEFO, Flávio. História dos hebreus: de Abraão à queda de Jerusalém. Obra completa. Tradução de Vicente Pedroso. 8. ed. Rio de Janeiro - RJ: CPAD, 2004

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